La Liga de Enólogos

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Novidade da Argentina, La Liga de Enólogos busca se aproximar dos Millennials

Descobri por acaso esta linha de vinhos trazidos pela Wine e fiquei surpresa com o conceito do projeto e com a qualidade de seus rótulos.

La Liga de Enólogos surge com a proposta de apresentar seus vinhos  para um consumidor mais novo, principalmente os millennials. Este público, em sua maioria jovens de até 30 anos, mudaram a forma de consumir música, trabalhar ou assistir a um filme e não se identificam com o universo do vinho. Pelo contrário. Na Argentina, este público migrou para a cerveja e atrai-los para o vinho é um dos desafios do mercado na atualidade.

Para se ter uma ideia, em 2001 o argentino consumia exatamente a mesma quantidade de vinho e cerveja: cerca de 1.250 milhões de litros cada. Este consumo foi se transformando no decorrer dos anos e em 2017 o cenário era completamente diferente: as vendas de vinhos ficaram em torno de 900 milhões de litros enquanto a cerveja saltou para 2.000 milhões. Assim, enquanto o consumo de vinho está hoje na ordem de 20 litros per capita, a cerveja é quase o dobro deste nível. (fonte: Observatório Vitivinícola Argentino)

E quem melhor do que jovens enólogos para identificar as preferências deste público? Neste contexto nasce a Liga de Enólogos, sete amigos e profissionais que se reuniram para elaborar vinhos bem feitos, despretensiosos e fáceis de beber, com rótulos modernos e divertidos. A primeira linha desenvolvida, El Bautismo, é composta por 4 rótulos inspirados na identidade de suas origens, ou seja, feitos com uvas autóctones da Itália, Espanha e Argentina.

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Integrantes de La Liga de Enólogos, grupo de amigos que se uniram para elaborar vinhos divertidos e descomplicados.

A Wine acertou mais uma vez em apostar neste perfil de vinhos e por um preço que condiz com a proposta original da linha. Confira abaixo o estilo de cada um deles e escolha o seu – eu arriscaria na linha toda! 😉

 

El Bautismo Blend de Blancas Dulces

  • BB4 El Bautismo Blend de Blancas Dulces 2017 (Wine.com, de R$ 38,90 por R$ 33,07) Branco delicado feito com Torrontés (70%), Moscatel (15%) e Pedro Giménez (15%), um original corte de uvas brancas de origem espanhola para honrar os antepassados que elegeram terras argentinas como seu lugar. Muito aromático, com destaque para lichia, jasmim e frutas brancas. Na boca é leve, com doçura equilibrada com acidez. Opção para quem gosta de vinho doce, mas não tão doce assim. Para beber geladinho – sozinho, acompanhando doces leves ou canapés adocicados.

 

El Bautismo El Criollo Rosado

  • El Bautismo El Criollo Rosado 2017 (Wine.com, de R$ 38,90 por R$ 33,07) Rosé bem diferente feito com a Criolla, uma uva nativa da Argentina e que foi a base dos vinhos de antigamente. Classificado como meio-seco (ou demi-sec), também é uma opção para os adeptos de vinhos com mais doçura, mas sem ser enjoativo. Bem feito, destaca-se pela cor clarinha e pelos aromas florais e de frutas vermelhas. Leve, frutado, com agradável acidez. Recomendado com diversas opções de pratos, como camarão empanado, talharim com molho rosé, risoto caprese, salmão grelhado, espetinho de legumes ou salada primavera, por exemplo.

 

El Bautismo Malbec

  • M4 El Bautismo Malbec 2017 (Wine.com, de R$ 38,90 por R$ 26,45) Elaborado com Malbec, uma reinterpretação da uva que é orgulho nacional e símbolo do país. Aromas típicos da variedade, com notas de frutas pretas e vermelhas. Na boca é elegante, com taninos macios e persistentes. Vai bem com costelinha suína com molho barbecue, pizza com cogumelos, penne à bolonhesa, fraldinha cozida, entre outros. Muito versátil à mesa.

 

El Bautismo Blend de Tintas

  • BT4 El Bautismo Blend de Tintas 2017 (Wine.com. de R$ 38,90 por R$ 26,45) Tinto inusitado feito com as uvas Raboso Veronés, Freisa, Sangiovette, Nebbiolo e Lambrusco, variedades de origem italiana escolhidas para homenagear seus antepassados. Vinho frutado, com taninos macios e um sabor que permanece no paladar. Baixa graduação alcoólica, fácil de beber. Vai bem com hambúrguer, estrogonofe de carne, bife com batata frita, ou seja, pratos gostosos do dia-a-dia.

 

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Vinho do dia| Fuzion Chenin-Chardonnay

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    Fuzion Chenin-Chardonnay, Argentina (Imp. Ravin, R$ 35,70)

Grata surpresa da Argentina que degustei recentemente. O conceito do produtor é elaborar vinhos para homenagear o povo argentino e seu país, já que, de acordo com ele, a diversidade cultural da Argentina é a expressão única de Velho e Novo Mundo e isto é Fuzion. A vinícola preza pela tradição no cultivo das uvas, na maneira de produção de seus vinhos, sem deixar de lado a tecnologia moderna que atrelada a esta tradição faz de seus vinhos um grande sucesso. Vinhos que oferecem qualidade por bom preço. Segundo o enólogo responsável pela vinícola, Gustavo Martinez, Mendoza e seus” microclimas”oferecem excelentes oportunidades para o cultivo da Malbec e de uma ampla gama de variedades de uva.

Este aqui é elaborado com 70% de Chenin Blanc e 30% Chardonnay. Bem aromático com notas de flores brancas, maçã, pera e toques de frutas tropicais ao final.  Paladar fresco e equilibrado, com sabores que remetem aos aromas. Perfeito para acompanhar comidas leves como salada, frango grelhado e marisco.

 

Vinho do dia | Urban Uco Sauvignon Blanc

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  • Urban Uco Sauvignon Blanc, Argentina (Imp. Vinci, R$ 45,32)

Este Sauvignon Blanc foi um dos primeiros que realmente me fez gostar desta uva. Ficou ainda melhor depois que tive a chance de conhecer a vinícola, um dos projetos mais impressionantes neste vasto universo do vinho.

Elaborado pela já citada O.Fournier, vinícola fundada em 2000 e, apesar de recente, já considerada uma das melhores do país. Os vinhedos ficam na região de La Consulta, no Valle de Uco, uma das mais promissoras regiões vinícolas da argentina. A linha Urban representa a modernidade na elaboração, com vinhos frutados, frescos e fáceis de beber. Um estilo que atende os consumidores urbanos e sofisticados, ou seja, um vinho democrático, para todos.

Urban Uco Sauvignon Blanc é fresco, vivo e cheios de frutas cítricas. Fica perfeito com peixes grelhados, frutos do mar, carnes brancas e massas leves.

Imagem da vinícola, próxima a cordilheira dos Andes

Vinho | Tilia Malbec

Para os fãs de Malbec, o Tilia é um dos melhores achados da Argentina, considerado um “Best Value” para Robert Parker que o classificou com 90 pontos em sua safra de 2012.

Rico, exuberante, destaca-se pelos aromas de frutas maduras, pimenta preta e toques florais e taninos bem macios no paladar. Uma das melhores relações qualidade/preço do Novo Mundo. A breve passagem por 09 meses em barris de carvalho francês e americano, sendo 25% novos, é suficiente para deixá-lo macio e saboroso.

Imagem ilustrativa da vinícola
Imagem ilustrativa da vinícola

Como curiosidade, Tilia é o nome de uma árvore típica da região, a mesma que inclusive estampa seu rótulo. Nas palavras do produtor, a árvore Tilia, que empresta suas folhas para um chá com efeito calmante, representa também o lado espitiruala da rural região de Mendoza.

Além disso, todos os vinhos da linha são provenientes da Bodegas Esmeralda, que elabora vinhos de bom custo benefício para o mercado e pertence ao mesmo grupo da mundialmente famosa Catena Zapata. Vale a pena conhecer os vinhos desta linha, recomendo.

Vinho do dia | Colonia Las Liebres Bonarda

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Este é um daqueles vinhos que não podem faltar na sua adega. Tinto elaborado na argentina com a promissora uva Bonarda, é daqueles tintos para tomar a grandes goles, levemente refrescado, sem se preocupar muito com acompanhamentos.

Além disso, a história do produtor já é suficiente para te convencer a experimentar seus vinhos. O responsável pelo projeto é o famoso italiano Alberto Antonini, consagrado mundialmente pelo trabalho no mítico Antinori. Com a vontade de explorar outros vinhedos, buscou em Mendoza o lugar ideal para novos vinhos e experiências. Desde o início da vinícola em 1995, reconheceu o potencial da Malbec nesta região e, junto com Antonio Morescalchi, decidiu explorar as principais áreas vinícolas da Argentina criando uma das mais respeitadas vinícolas do país, a Altos Las Hormigas.

Foto da equipe na vinícola
Foto da equipe na vinícola

O nome da vinícola provém do fato de que quando iniciaram o cultivo das vinhas viram que próximo a elas existiam colônias de formigas, que se alimentavam dos brotos da vinhas recém-plantadas. Decidiram não envenenar as formigas, já que elas eram as “verdadeiras” donas da terra, que com o crescimento das vinhas não mais se alimentaram delas. Além disso, para os argentinos “trabalho de formiga” é um trabalho humilde, paciente e prolongado, um provérbio que vem usando até os dias de hoje.

Delicioso, tem aromas bem agradáveis de frutas vermelhas, notas florais e toques de especiarias. No paladar é médio corpo, elegante e fresco, com taninos sedosos e final de boca equilibrado e persistente. Acompanha bem carnes assadas, massas recheadas, pizzas e queijos de média maturação.