O lado irreverente da França

french dog wine baguette beret

Poucos países do mundo levam tão a sério sua gastronomia e seus vinhos como a França. Os vinhos franceses contruíram uma bela reputação ao longo de décadas e hoje são considerados um dos melhores do mundo, graças a sua diversidade sem paralelo. Poucos são capazes de produzir tamanha gama de vinhos – muitos dos quais imitados pelo mundo – e a todo tipo de preço.

Regiões clássicas como Bordeaux, Bourgogne e Champagne oferecem os mais sérios e valorizados vinhos da França, porém é possível encontrar rótulos descomplicados e acessíveis pelo país afora. Muitos produtores buscam elaborar seus vinhos no sul da França, ou em regiões como Languedoc-Roussilon, exatamente pela liberdade de produzir seguindo uma legislação menos rigorosa do que as vigentes nestas regiões mais tradicionais.

Além disso, o país experimenta atualmente uma certa renovação, com produtores preocupados em oferecer vinhos mais modernos, prontos para consumo, a um público mais jovem e interessado em novidades. Assim, surgem no mercado vinhos com rótulos divertidos, informações mais fáceis para o consumidor e super agradáveis para paladares menos comprometidos com tradição.

Selecionei alguns rótulos que representam bem este conceito, para que você vivencie na taça uma França mais divertida e irreverente. E Vive la France!

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  • La Vieille Ferme Rouge (World Wine, R$ 54,00) : Tinto produzido em Ventoux, uma extensa apelação de origem controlada na região do Rhône, uma região onde as uvas demoram um pouco mais a amadurecer e conservam uma boa acidez, dando origem a vinhos bem equilibrados. Aromas de frutas frescas, como morango e cereja, de média intensidade no paladar e taninos bem sutis. Vai bem com bife de filé e queijos de média cura.

 

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  • Longue-Dog Rouge: (Rua do alecrim, R$ 52,90): Vinho elaborado pelos bem-humorados enólogos Samantha & Eric com as uvas Grenache Noir, Syrah e Mourvèdre, típicas da região. O nome é uma brincadeira com Languedoc, sul da França, lugar perfeito para qualquer cão, muito sol para uma soneca tranquila e muitos espaços abertos para explorar! Falando do vinho, destacam-se os aromas de frutas vermelhas frescas e toques de especiarias. O paladar é elegante, com taninos macios, final de boca fino e agradável. Ideal para acompanhar entradas leves, carpaccio, massas com molhos vermelhos, carnes grelhadas com molhos leves e queijos amarelos.

 

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  • Rigal the Original Malbec (Vinitude, R$ 58,00): Tinto elaborado com Malbec, uva sempre associada à Argentina mas que tem em Cahors, na França, seu verdadeiro berço de origem. A vinícola vem cultivando e produzindo vinho Malbec já a bastante tempo e o nome  The Original Malbec reforça este conceito. Aromas agradáveis de frutas frescas, é macio e elegante no paladar e bem mais leves que seus hermanos argentinos. Combina com carnes vermelhas suculentas e churrasco.

 

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  •  Arrogant Frog Tutti-Frutti (Imigrantes Bebidas, R$ 51,90) Elaborado pelo dinâmico enólogo Jean-Claude Mas na região de Languedoc, que se destaca pelo lema “vinhos do Velho Mundo com atitude do Novo Mundo”. O nome Arrogant Frog foi uma bela sacada para mostrar que a França também pode fazer vinhos descomplicados, sem a arrogância de ignorar o Novo Mundo. Feito com as uvas Grenache, Merlot, Mourvédre, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc (ufa!), é fácil de beber, como o nome sugere. Tem também sua versão branca, igualmente interessante.

 

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  • C’est La Vie Rouge (Via Vini, R$ 59,00): Tinto feito com as uvas Syrah e Pinot Noir pelo Albert Bichot, destaca-se pelos aromas de cereja fresca e um toque de pimenta preta, é fresco e equilibrado, com taninos super macios no paladar. Uma delícia,  fácil de beber, além do rótulo super charmoso. Companhia perfeita para aperitivos, pães, patês e frios. Aroma intenso de cereja fresca, toque de pimenta preta e o paladar também é bem fresco, frutado, acidez alta, ligeiro.

 

Tintos leves para dias quentes

Illustration: Jenny Bowman

Verdade seja dita: com este calorão, dificilmente a primeira opção de bebida que vêm à mente é vinho. A cerveja e a caipirinha são opções incontestáveis em dias quentes – mesmo com tantas opções de brancos, rosés e espumantes leves e refrescantes. Curiosamente, o vinho tinto continua sendo o campeão da preferência nacional, independentemente da estação. O nosso paladar – orientado para uma culinária quente, rica em aromas e sabores, para o doce e encorpado – ajuda a explicar a popularidade dos tintos. Vale lembrar que Recife é atualmente um dos maiores mercados consumidores de uísque, mesmo com uma temperatura nada convidativa para este estilo de bebida. Assim, os tintos acabam sendo a escolha automática e a opção mais segura para acertar o paladar.
 Não dá para ignorar a preferência nacional pelos tintos. Mas vale deixar algumas dicas sobre como escolher as opções mais leves e refrescantes, indicadas para a gastronomia mais leve do verão. Estou falando de vinhos menos alcoólicos, mais frutados, ligeiros, com boa acidez e sem ou com breve passagem por madeira. 
 Para encontrar vinhos com essas características – que infelizmente não estão escritas no rótulo – o primeiro passo é identificar a uva e a região de produção. O Beaujolais, francês elaborado coma uva gamay, é uma boa pedida. É uma bebida leve, com boa acidez, poucos taninos no paladar e bastante aroma de frutas frescas.
 Também é possível encontrar vinhos tintos nacionais com a mesma uva, bem corretos e agradáveis.Os italianos feitos na Toscana com a clássica Sangiovese são conhecidos pela boa acidez e pelos aromas frutados, com um toque floral, bem delicados. Os tintos elaborados com a uva Pinot Noir também são escolhas seguras. Eles têm coloração mais clara e taninos sutis, mas que podem variar de estilo dependendo da região.
Os Pinot Noirs do Vale de Casablanca (Chile), os da Patagônia (Argentina) e os da Nova Zelândia não desapontam.Deixe de lado os tintos potentes, alcoólicos e amadeirados para experimentar opções mais leves, jovens e refrescantes. Abaixo vão algumas opções para você conhecer neste verão – e quem sabe continuar no resto do ano?

Beaujolais

  • Beaujolais Villages Château de Montmelas (Casa Santa Luzia, R$ 43,00): Boa opção para conhecer a uva Gamay, típica de Beaujolais. Aromas de frutas vermelhas frescas, boa acidez e delicado no paladar. Para ser servido bem fresco, entre 10-12°C.

Miolo

  • Miolo Gamay (Pão de Açúcar, R$ 36,27): Versão nacional dos Gamays de Beaujolais, segue o estilo de leveza e frescor. O preço é bem amigo.

La Vieille Ferme

  • La Vieille Ferme Rouge (World Wine, R$ 53,80): Tinto elaborado na região do Rhône (França), com as uvas Grenache Noir, Syrah, Carignan e Cinsault. Com breve passagem por madeira, tem aromas de frutas mais maduras e é bem macio no paladar.

Yealands

  • Yealands Way Pinot Noir (Extra, R$ 57,65): A Nova Zelândia destaca-se pelos seus tintos feitos com a uva Pinot Noir. Um rótulo que representa fielmente o estilo de vinhos do país.

Novas

  • Novas Gran Reserva Pinot Noir (Extra, R$ 58,70): É produzido pela vinícola Emiliana (Chile), no Valle de Casablanca, uma das melhores regiões para o cultivo da Pinot Noir. Tem aromas de cereja, framboesa e morango, com toques adocicados de cacau.