Vinho 365 | #23 – Marques de Montemor Tinto

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Conheço este vinho já a bastante tempo e sempre tenho umas garrafas na adega. Fácil de agradar, surpreende pela versatilidade com comida, como muitos vinhos do Alentejo. Elaborado pelo Quinta da Plansel, um pequeno produtor com sede na região demarcada do Alentejo. Dorina Lindemann, filha do proprietário Jorge Bohm e competente enóloga, assessorada pelo excelente Paulo Laureano, encantam cada vez mais com seus vinhos carnudos e harmônicos, típicos mas com sotaque cosmopolita.

Este tinto é elaborado com as uvas Trincadeira, Aragonez e Touriga Nacional (tão característicos de Portugal!), destaca-se pelos aromas de frutas negras maduras (cerejas, ameixas e amoras), e notas de passas e especiarias. Frutado e maduro na boca, com bom equilíbrio entre calor e frescor. Grande versatilidade com carnes, pappardelle de espinafre ao ragù bovino e iscas de filé ao molho madeira, por exemplo.

Eu gosto de servir para os amigos que gostam de tinto, seja qual for a ocasião!

 

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Vinhos que cabem no bolso

menu_178_outubro-235x300Boas matérias merecem ser compartilhadas, principalmente quando o tema refere-se a dicas de boas compras. Melhor ainda se estes achados forem vinhos até R$ 60,00, indicados por quem entende do assunto.  Folheando a revista Menu de Outubro li, reli e concordei com as observações da matéria “Vinhos que cabem no bolso”, escrito pela Suzana Barelli e Manuel Luz.

Como o artigo tem tudo a ver com o tema deste blog, recomendo sem medo a leitura. Destaco aqui alguns trechos e 5 rótulos (de uma seleção de 19) com preço máximo de R$ 65, todos provados às cegas pela equipe de sommeliers convidados da revista:

“A valorização do dólar frente ao real e o reajuste da ST, imposto que muda a incidência do ICMS no vinho, caíram como uma bomba em nosso mercado em setembro. O reajuste médio de 10% só não foi maior porque as vendas não andam nada boas.

Para responder a esta indagação, a Menu colocou um teto de R$ 65 e foi atrás de rótulos que, teoricamente, têm qualidade nessa faixa de preço. Vasculhamos nossos cadernos de degustação e perguntamos para as importadoras quais tintos, em seu portfólio, poderiam ser considerados bons custos-benefícios dentro desse valor estabelecido. A maioria das respostas indicava vinhos chilenos, argentinos ou portugueses, não por acaso os mais procurados pelos consumidores quando o assunto é preço, mas também uma bebida bem-feita, com qualidade”:

 

De Martino

Syrah Reserva 347 Vineyards 2011 – Maipo, Chile (Decanter, R$ 55,60): Uvas da região do Maipo dão origem a este tinto de cor rubi violácea da De Martino. No nariz, aromas de frutas vermelhas maduras na medida certa, um toque de goiaba, que revela sua origem, e especiarias. De corpo leve para mediano, tem taninos redondos, bem moldados, com leve toque de álcool a mais. Tem 13,5% de álcool.

 

Ilógico

Ilógico 2009 – Alentejo, Portugal (Viníssimo, R$ 40,37): O enólogo Antônio Saramago elabora este tinto com aragonês e syrah, com rápida passagem em barricas de carvalho (três meses). Tem cor rubi clara, de boa transparência. Seus aromas, mais maduros, trazem notas de envelhecimento, com pouca fruta, e chocolate amargo. Agradável no paladar, com taninos bem mesclados com seu corpo de média intensidade, e um toque mineral. Tem 13,5% de álcool.

 

gsm

GSM J.V.Fleury 2011 – Rhône, França (Ravin, R$ 65,00): Tinto da Vidal Fleury, considerada a vinícola mais antiga em atividade em Côte-Rôtie, desde 1781, é elaborado com 50% de garnacha, 30% de syrah e 20% de mourvèdre. Tem cor rubi de média intensidade, com aromas de frutas vermelhas, baunilha e algo herbáceo. No paladar, é marcado por seus taninos intensos, que encobrem sua acidez. Tem 13,5% de álcool.

 

Borsao

Borsao Selección 2012 – Campo de Borja, Espanha (World Wine, R$ 52,90): Antiga cooperativa transformada em vinícola em 2001, a Borsao elabora este tinto que já foi definido como bom exemplo de custo-benefício pelo crítico Robert Parker. Sua base é garnacha mesclada com tempranillo e cabernet sauvignon. Tem cor rubi violácea, com aromas de frutas escuras, como ameixas e amoras, e algo herbáceo. Tem corpo médio para encorpado, com taninos marcados e baixa acidez. Tem 14,5% de álcool.

 

haras

Haras de Pirque Carmenére Reserva 2011 – Maipo, Chile (Winebrands, R$ 51,00): De cor rubi violácea, tem um improvável aroma de vinho branco, com notas de goiaba branca, erva doce e especiarias. No paladar, corpo de média intensidade, com tanino secante, boa persistência e leve amargor final. Tem 14% de álcool.

 

Balance

Balance Pinotage Winemakers Selection 2011 – Western Cape, África do Sul (Qual Vinho, R$ 55,00): De cor rubi de média intensidade, o representante da África do Sul é elaborado apenas com a pinotage. Tem aromas frutados, com notas de cereja, e algo de ervas de provence. Leve e redondo no paladar, com taninos macios, baixa acidez e uma sensação de demi-sec na boca. Tem 14% de álcool.

Sabores portugueses

sabores-portugueses-resPoucos sabem mas 2013 é o Ano Brasil Portugal, um evento que dá sequência a uma série de celebrações do Brasil com países diretamente ligados à sua história, seja como colonizador, no caso do irmão lusitano, ou como imigrantes que aqui se instalaram e criaram raízes definitivas.

E, quando o assunto é Portugal, é inevitável abordar sua deliciosa e rica gama de vinhos. Portugal é um dos mais tradicionais produtores de vinhos, e embora tenha sofrido as mesmas influências que França e Itália, demorou a apresentar qualidade comparável a seus vizinhos. Lembrado pelos seus incríveis vinhos do Porto, o país também é reconhecido pela incomparável variedade de uvas autóctones.

De nomes muitas vezes curiosos, como Tinta Cão, Bastardo e Amor-Não-Me-Deixes, grande parte dessas uvas são usadas em pequenas parcelas, para conferir aos vinhos sabores e sensações diferenciadas. E é justamente aí que Portugal tem sua particularidade. Ao implementar tecnologia de ponta para produção de vinhos, o país conseguiu explorar o melhor potencial de suas uvas autóctones, criando vinhos de caráter único.

Em um período que o estilo de vinho está cada vez mais uniforme, é sempre bom ter à taça a autenticidade e diversidade do vinho português. Em homenagem a esta bela parceria, confira as 10 grandes castas portuguesas e em quais vinhos encontrá-las:

Brancas:

  • Fernão Pires (Maria Gomes): A uva branca mais plantada em Portugal, também conhecida por Maria Gomes. Destaque na Bairrada e no Tejo, onde dá origem a vinhos muito aromáticos, principalmente de frutas cítricas e notas florais.
  • Encruzado: Uva branca encontrada no Dão, tem ótimo equilíbrio entre acidez e doçura e boa capacidade de envelhecimento.
  • Alvarinho: Referência de vinho branco português, é a uva predominante dos Vinhos Verdes. Destaque para aromas de frutas brancas, como pêssego e maçã, frutas tropicais, como maracujá, e notas de jasmim e flor de laranjeira
  • Arinto (Pedernã): Destaque na região de Bucelas, diferencia-se pela acidez marcante e pela possibilidade de se adaptar a diferentes terroirs. Aromas de limão, maçã verde e nuances minerais.

TINTAS:

  • Baga: Símbolo da Bairrada, origina vinhos de cor profunda e bastante longevos. Aromas de frutas silvestres, ameixa preta, notas tostadas e defumadas.
  • Castelão: Uva base do mais antigo vinho português, o Periquita. Origina vinhos versáteis, encorpados e longevos. Aromas de frutas vermelhas e notas florais.
  • Touriga Franca: Uva que dá origem a vinhos estruturados, elegantes e concentrados. Estrela entre vinhos do Douro e do Porto, permite o envelhecimento. Aromas de frutas silvestres e notas florais.
  • Touriga Nacional: Casta tinta e rainha dos vinhos portugueses, muito presente em vinhos varietais. Aromas florais, ameixas, amora, mirtilos e notas cítricas.
  • Trincadeira (Tinta Amarela): Muito usada nos tintos do Alentejo, ajuda a conferir estrutura e longevidade aos vinhos, sem perder a elegância. Aromas iniciais herbáceos que evoluem para compotas e especiarias.
  • Tinta Roriz (Aragonês): Plantada há séculos no Alentejo, indispensável nos vinhos do Porto e estrelas em famosos blends, como o Barca Velha. Assume ainda a designação Tinta Roriz. Aromas de flores e especiarias.

Agora que você já sabe sobre as uvas típicas da terrinha, confira uma seleção de vinhos para  entender de perto cada uma delas:

Varanda do Conde, Minho (Imigrantes Bebidas, R$ 36,99):

Vinho verde bem conhecido no mercado, tem aromas sutis de frutas tropicais, bastante delicado. Fresco e equilibrado, resultado da excelente combinação das castas Alvarinho e Trajadura.

Rapariga da Quinta, Alentejo (wine.com, R$ 35,00)

Tinto produzido no Alentejo pelo excelente produtor Luis Duarte com as uvas Aragones, Trincadeira e Touriga Nacional. Destaque para os aromas de frutas vermelhas maduras, leves notas de especiarias e um toque de baunilha. Vinho moderno, com corpo médio, taninos elegantes e macios.

Caza da Lua, Douro (Pão de Açúcar, R$ 29,23)

Vinho elaborado pela Quinta Sá de Baixo com as variedades Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca, é macio e bem estruturado no paladar. Pode ser servido com pratos de carne em geral, massas e risotos com molhos mais intensos.

Muito além do vinho do Porto

Falou em vinhos portugueses já se lembrou dos tradicionais vinhos do Porto e Madeira ou dos leves vinhos Verdes? Pois saiba que Portugal tem muito mais a oferecer além destes já conhecidos estilos de vinho.

Os portugueses ocupam o terceiro lugar no ranking de vinhos mais consumidos no Brasil, perdendo apenas para Chile e Argentina. Não é a toa que os importadores abrem cada vez mais espaço em seus portifólios para os lusitanos: Portugal tem vinhos especificamente para atender o consumidor brasileiro, fala a mesma língua e possui laços culturais com nosso país.

As uvas portuguesas, como Touriga Nacional, Tinta Roriz, Baga, Castelão – só para citar algumas – podem ter nomes curiosos, mas são responsáveis por vinhos únicos e que transformaram o país em uma das poucas regiões do mundo que fizeram sucesso sem precisar apelar para as globalizadas Cabernet Sauvignon e Chardonnay.

Selecionei dois rótulos de importantes regiões vitivinícolas e que representam bem o estilo fácil e despretencioso dos vinhos portugueses para o dia a dia: o Periquita branco e Alandra tinto.

O Periquita tinto é o vinho português mais vendido no Brasil, mas poucos conhecem a versão branca deste conhecido vinho. Isto por que a marca existe deste 1846, mas apenas em  2004 a vinícola elaborou o vinho branco. Elaborado pela José Maria da Fonseca na região da Península de Setúbal com as uvas Moscatel de Setúbal, Arinto e Fernão Pires, destaca-se pelos aromas florais, com ótima acidez e frescor no paladar.  Para servir entre 7ºC a 11ºC, como aperitivo ou acompanhando frutos do mar.

Já o Alandra tinto é elaborado pela Herdade do Esporão, tradicional vinícola do Alentejo, uma das regiões mais dinâmicas do país. Feito com as uvas Moreto, Castelão e Trincadeira, tem como principal caracteríctica os aromas de frutas vermelhas maduras e o ótimo frescor, sendo ótima companhia para acompanhar desde pratos à base de carne de porco até as típicas sardinhas grelhadas.

ONDE COMPRAR:

Imigrantes Bebidas, Wine.com, Pão de Açúcar e principais supermercados